Quando o Coração faz anos

O dia de aniversario é um momento importante que deve servir para rever aquilo que fizemos no último ano, com sucessos e falhanços e refletir no trabalho que devemos fazer para concretizar a nossa missão e objetivos. É altura de partilhar o que temos feito na promoção da saúde e na prevenção das doenças cardiovasculares. Como é importante sensibilizar a população para os benefícios de um estilo de vida saudável, ajudar a reconhecer os fatores de risco e a identificar o mais precocemente possível os sintomas das principais doenças cardiovasculares. A prevenção deve começar pelo estilo de vida: alimentação saudável, exercício físico diário, não fumar e evitar a obesidade. Como é vital a deteção e controlo dos fatores de risco cardiovasculares (hipertensão, colesterol elevado, diabetes). Também sensibilizar para as novas epidemias da insuficiência cardíaca e fibrilhação auricular. Por último, lembrar, nesta época de maior distanciamento social, a importância de combater o fator de risco da solidão.

O trabalho da Fundação nos primeiros anos da sua existência foi fundamental na sensibilização da população para os efeitos nefastos do sal e na luta contra a hipertensão arterial, que lhe está associada, na altura a principal causa de morte. Devo também destacar que a criação do dia do doente coronário, que se celebra a 14 de fevereiro, foi em resultado dos esforços e de uma proposta concreta da FPC. Também o conceito da via verde coronária, para evitar as mortes por enfarte do miocárdio, na sala de espera das urgências dos hospitais, foi sugerida pela Fundação às autoridades de saúde. Durante vários anos, a Fundação, com o apoio do Movimento das Mulheres de Vermelho teve um trabalho persistente na sensibilização da nossa sociedade para as virtualidades, em termos de saúde, cultura e economia da Dieta Mediterrânica Portuguesa, o que levou finalmente à sua classificação como património cultural imaterial da humanidade, junto da UNESCO.

Portugal, com o contributo pioneiro da Fundação fez um bom trabalho na redução do consumo de sal, assim como no controlo da hipertensão arterial, este último  graças à atividade fundamental dos médicos de família.  No presente, temos um longo caminho a percorrer no campo da obesidade com níveis de obesidade infantil muito elevados que, se nada fizermos, irão afetar a saúde futura dos nossos jovens. É preciso estimular a prática da atividade física e a alimentação saudável, pela nossa população, em particular dos mais jovens. O grande desafio da prevenção cardiovascular já não é apenas transmitir informação. É conseguir transformar informação em motivação, motivação em comportamento e comportamento em hábito.

Não podemos terminar sem salientar que a causa da Fundação Portuguesa de Cardiologia é particularmente nobre: contribuir para que os portugueses tenham menos doença cardiovascular, mais saúde e melhor qualidade de vida.

Prof. Doutor Manuel Oliveira Carrageta
Presidente da FPC