A Morte Súbita Cardíaca

A Morte Súbita de causa cardíaca corresponde a 20% de todas as mortes, com uma incidência de cerca de 1 por 1000 habitantes/ano. Em 2/3 das situações é provocada pela doença coronária, e contribui para a mortalidade dos doentes coronários em mais de 50% dos casos. Para dar uma ideia da importância destes números, podemos dizer que a Morte Súbita Cardíaca apresenta uma mortalidade superior à provocada pela SIDA, Cancro da Mama e Cancro do Pulmão em conjunto.

 

Nesta situação um dos problemas principais advém do facto de na grande maioria dos doentes a Morte Súbita ser a primeira manifestação de Doença Cardiovascular. O mecanismo principal que a ela conduz é uma arritmia fatal, denominada Fibrilhação Ventricular, que ocorre em 75 a 80% dos casos e que é também frequentemente a primeira manifestação de doença cardíaca. Esta arritmia leva à morte em poucos minutos se não for tratada de imediato. É responsável por 95% da mortalidade pré-hospitalar das doenças cardíacas, e a única forma que temos para a reverter é através da aplicação imediata de um choque eléctrico, a chamada Desfibrilhação Elétrica.

 

No intervalo de tempo entre o início da paragem cardíaca e a Desfibrilhação Eléctrica é necessário manter um aporte suficiente de oxigénio ao cérebro, o que se consegue com a implementação do chamado Suporte Básico de Vida, que consiste basicamente na massagem cardíaca externa e no apoio ventilatório.

 

Prof. Doutor João Lopes Gomes

Presidente da Delegação Norte da Fundação Portuguesa de Cardiologia
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