Maio, Mês do Coração – Mensagem do Presidente

A Campanha “Maio, mês do Coração” visa promover a sensibilização da população para o risco das doenças cardiovasculares, que constituem a principal causa de morte, em Portugal. A Fundação, assim como a OMS, lembram que prevenir as doenças cardiovasculares depende, muitas vezes, mais do estilo de vida que dos cuidados médicos, por melhores e mais especializados que estes sejam.

No nosso país as doenças cardiovasculares são responsáveis por quase um terço da mortalidade total. Saliente-se que morrem, em média, 82 pessoas por dia, devido a patologia cardiovascular. No grupo etário dos 40 aos 55 anos, morrem de doença cardiovascular respetivamente cerca de 20% dos homens e 13% das mulheres, números muito elevados de patologias potencialmente evitáveis pela prevenção.

Entre os principais fatores de risco, que se torna necessário controlar, destaca-se a hipertensão arterial, o mais importante fator de risco responsável pelos acidentes vasculares cerebrais, a primeira causa de morte e incapacidade no nosso País. Só medindo se sabe se a pressão arterial está normal.

O colesterol é a causa da aterosclerose, acumulações de colesterol que reduzem o calibre dos vasos, dificultando o afluxo de sangue aos órgãos e tecidos do organismo. Estas placas podem formar-se em todas as artérias. O mau colesterol (LDL) não é meramente um fator de risco, é a causa da aterosclerose, nomeadamente da doença coronária, e, portanto, deve ser o principal alvo terapêutico a ser controlado.

O tabagismo é responsável por mais de 8000 mortes em Portugal, das quais cerca de 4000 por doenças cardiovasculares, 2000 por cancro do pulmão e as restantes por enfisema do pulmão e cancro noutros órgãos. No total, os fumadores arriscam perder, em média, de 8 a 14 anos de vida. A grande maioria das vítimas jovens de enfarte do miocárdio são fumadores. Os cigarros eletrónicos não são nem uma alternativa saudável aos cigarros convencionais, nem uma boa ajuda para quem pretende deixar de fumar

Mais de um terço dos portugueses têm excesso de peso e cerca de um quinto são obesos, o que significa que mais de metade da população tem problemas de peso excessivo. A obesidade aumenta, entre outros, o risco de hipertensão, colesterol elevado, diabetes, doença cardiovascular.

Apesar do progresso na redução do consumo de sal, a sua ingestão excessiva ainda constitui um grave problema nacional, não só devido à sua influência na elevada prevalência de hipertensão arterial como nas suas complicações pois o sal exerce ação negativa direta nas paredes arteriais, pensando-se ter um papel particularmente importante na génese dos acidentes vasculares cerebrais e também do cancro do estomago.

O acidente vascular cerebral (AVC) é a doença que mais mata e causa incapacidade em Portugal. Deve-se a uma obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo numa artéria do cérebro, o que provoca a falta de irrigação e a morte de células cerebrais. Embora a incidência dos AVCs esteja a baixar em Portugal, continua a ser a principal causa de morte, e também a principal causa de incapacidade de longo prazo.

A doença coronária é uma doença crónica progressiva ao longo da vida, pontuada por agudizações, que se podem manifestar sob a forma de angina de peito e nos casos mais graves por enfarte do miocárdio ou mesmo morte súbita.

A insuficiência cardíaca é uma doença muito grave que se manifesta por falta de ar, cansaço e edemas. Tem um prognóstico sombrio, na medida em que apenas cerca de metade dos doentes estão vivos dentro de cinco anos após o diagnóstico. Felizmente, o prognóstico tem melhorado muito, nos últimos anos, graças aos novos tratamentos.

A fibrilhação auricular (FA) é a arritmia crónica mais frequente, sendo responsável por um em cada cinco dos acidentes vasculares cerebrais que ocorrem em Portugal. A sua deteção precoce e respetivo controlo com fármacos anticoagulantes são fundamentais para evitar aquela e outras complicações.

A FPC recomenda a dieta mediterrânica, o regime alimentar que está demonstrado ser o mais saudável e benéfico para um envelhecimento saudável.   É variada, agradável, rica em vegetais, legumes e fruta, utilizando o azeite como gordura principal. Por outro lado, devem-se evitar os alimentos com muita gordura animal, demasiado sal ou açúcar.

A atividade física é uma das chaves indispensáveis para se ser saudável e evitar as doenças cardiovasculares. A FPC recomenda, como mínimo, andar diariamente a pé 20 a 30 minutos. A marcha é gratuita, ecológica e acessível a praticamente todas as pessoas.

Em resumo, a prevenção destas doenças deve assentar num estilo de vida saudável, o que inclui uma alimentação adequada (dieta mediterrânica), atividade física regular e uma vida sem tabaco, o que por si só permite evitar a grande maioria de eventos cardiovasculares, como o enfarte do miocárdio, o acidente vascular cerebral (AVC) e a morte súbita.

Ao mesmo tempo devem também ser desenvolvidos programas de deteção e tratamento, quer individuais quer comunitários, da hipertensão, do colesterol elevado, da diabetes e do tabagismo, os principais fatores de risco das doenças cardiovasculares. Hoje, sabe-se que a saúde está em grande medida nas mãos de cada um de nós.

Neste Mês de Maio Mês do Coração, a Fundação Portuguesa de Cardiologia recomenda a todos os cidadãos a adoção de um estilo de vida saudável e o controlo dos fatores de rico para evitar as doenças cardiovasculares

Faz-te à vida e cuide do seu coração.

Professor Manuel Oliveira Carrageta
Presidente da FPC